Seguro internacional: quando ele evita prejuízos milionários

No comércio exterior, uma operação pode ser cuidadosamente planejada: fornecedor homologado, documentação conferida, classificação fiscal correta, frete contratado e cronograma definido. Ainda assim, existe uma parte do percurso que nenhuma empresa consegue controlar completamente.
Condições climáticas extremas, avarias, incêndios, encalhes, acidentes durante o transporte e perdas de contêineres no mar continuam fazendo parte dos riscos da logística internacional. 🌎🚢
E os acontecimentos recentes ajudam a dimensionar essa realidade.
Em agosto de 2026, o MSC Silvana VIII, porta-contêineres com capacidade para aproximadamente 8.400 TEUs, ganhou destaque após ficar parcialmente submerso próximo a Zhoushan, na China. O navio havia chegado à região para reparos em junho e enfrentou problemas durante a passagem do tufão Bavi. Após encalhar e sofrer alagamentos na casa de máquinas e em porões de carga, as tentativas de reflutuação não tiveram sucesso e a embarcação afundou progressivamente. Cerca de 3 mil toneladas de combustível haviam sido retiradas durante os esforços de salvamento.
O episódio chama atenção pelo tamanho da embarcação, mas está longe de ser o único alerta recente para quem movimenta mercadorias internacionalmente.
🚢 Contêineres no mar: acontecimentos recentes mostram que o risco existe
Em março de 2026, o OOCL Sunflower perdeu 32 contêineres no Oceano Pacífico, ao sul das Ilhas Aleutas, enquanto seguia de Taiwan para Long Beach, nos Estados Unidos. O incidente ocorreu em 3 de março e levou autoridades americanas a acompanharem a situação e analisarem o manifesto da carga.
Além desse caso, registros do setor apontam outras ocorrências em 2026 envolvendo perda de contêineres, colapsos de pilhas de carga, incêndios e até naufrágios. Entre os casos registrados estão perda de contêineres pelo CMA CGM Tiga, em janeiro; contêineres ao mar no Ionikos, próximo a Casablanca, em fevereiro; e incêndio em contêineres no Ever Lenient, em abril.
Quando analisados isoladamente, esses episódios podem parecer exceções dentro do gigantesco volume transportado diariamente pelo comércio mundial. E, estatisticamente, de fato são.
Mas para a empresa cuja mercadoria está dentro de um dos contêineres afetados, a estatística deixa de ser pequena.
Ela pode representar um investimento relevante comprometido durante o percurso. 📦
📊 1.478 contêineres perdidos em apenas um ano
O relatório Containers Lost at Sea 2026, divulgado pelo World Shipping Council, ajuda a colocar esse risco em perspectiva.
Em 2025, aproximadamente 1.478 contêineres foram perdidos no mar, diante de cerca de 280 milhões transportados mundialmente. Em 2024, haviam sido registrados 576.
O próprio relatório ressalta que a proporção é extremamente pequena — aproximadamente 0,0005% do total movimentado. Porém, também mostra como grandes acidentes podem alterar rapidamente esse cenário: um único incidente em 2025 foi responsável pela perda de 640 contêineres, aproximadamente 43% do total daquele ano.
Condições meteorológicas e oceânicas severas e ocorrências relacionadas a incêndios estiveram entre os fatores associados às perdas.
É exatamente aqui que a discussão sobre seguro internacional deixa de ser apenas operacional.
A pergunta não deveria ser somente:
“Qual é a probabilidade de acontecer?”
Para uma empresa, existe uma segunda pergunta igualmente importante:
“Qual seria o impacto financeiro se acontecesse justamente com a minha carga?”
🛡️ Seguro internacional não é apenas mais um custo da importação
É comum que, durante a composição dos custos de uma operação, o seguro seja analisado simplesmente como mais uma despesa.
Essa visão pode ser limitada.
Uma importação envolve capital desde muito antes de a mercadoria chegar ao destino. Dependendo da negociação, a empresa pode ter valores significativos comprometidos na compra, produção, transporte e demais etapas da operação.
Quando ocorre um evento inesperado, portanto, não estamos falando apenas de uma caixa ou de um contêiner.
Estamos falando de capital da empresa em trânsito.
É por isso que o seguro internacional deve fazer parte da gestão de riscos da operação.
Dependendo das condições e coberturas efetivamente contratadas, ele pode oferecer proteção financeira diante de determinados eventos previstos na apólice, reduzindo a exposição da empresa a perdas que poderiam afetar seu caixa e seu planejamento.
E quanto maior o valor ou a importância estratégica daquela mercadoria para o negócio, mais relevante se torna essa análise.
⚠️ Ter seguro não significa estar protegido contra qualquer situação
Esse é um dos pontos mais importantes.
Não basta simplesmente verificar se existe uma apólice.
O seguro precisa ser analisado de acordo com as características reais daquela operação, porque coberturas, riscos excluídos, limites, condições e responsabilidades podem variar.
Tipo e valor da mercadoria, modal utilizado, origem e destino, rota, condições do transporte e características da negociação são alguns dos elementos que precisam ser considerados na avaliação.
Uma cobertura inadequada pode criar uma falsa sensação de segurança.
Por isso, a discussão não deve ser apenas:
“Tem seguro?”
Mas:
“A cobertura contratada é adequada aos riscos e ao valor desta operação?”
📑 O Incoterm também entra nessa análise
Outro ponto que merece atenção é o Incoterm negociado entre comprador e vendedor.
Os Incoterms estabelecem responsabilidades importantes entre as partes, inclusive em relação ao momento de transferência de riscos e, em determinadas regras, à obrigação de contratação de seguro.
Isso significa que definir um Incoterm sem compreender suas implicações pode fazer com que a empresa tenha uma percepção equivocada sobre quem é responsável por determinada etapa e sobre qual proteção foi efetivamente contratada.
Inclusive nos Incoterms em que existe obrigação de contratação de seguro por uma das partes, é fundamental conhecer as condições e o alcance da cobertura prevista.
Ou seja: Incoterm, transporte, seguro e gestão de risco não deveriam ser analisados isoladamente.
Eles fazem parte da mesma estratégia logística e comercial.
🌊 O risco não começa quando o navio encontra uma tempestade
Os acidentes marítimos são exemplos visualmente fortes porque tornam o risco evidente. Um navio parcialmente submerso ou dezenas de contêineres no oceano deixam pouca margem para abstração.
Mas a gestão de risco começa muito antes disso.
Ela começa no planejamento da operação, na definição das responsabilidades, na escolha das condições de transporte, na análise da mercadoria e na avaliação da proteção necessária para o capital que será colocado em trânsito.
O objetivo não é trabalhar esperando que algo dê errado.
É justamente o contrário.
É construir uma operação capaz de suportar melhor financeiramente aquilo que não pode ser previsto ou controlado.
🌎 Planejar também significa proteger
Milhões de contêineres atravessam os oceanos todos os anos com segurança. Os próprios dados do setor mostram que as perdas representam uma parcela muito pequena de toda a movimentação global.
Mas gestão de risco não consiste em acreditar que um evento acontecerá.
Consiste em avaliar qual seria a consequência para o negócio caso ele acontecesse.
Os acidentes registrados nos últimos meses são um lembrete importante: mesmo com toda a evolução tecnológica, operacional e regulatória do transporte internacional, determinadas variáveis continuarão fora do controle do importador.
É justamente por isso que uma estratégia de comércio exterior precisa ir além de negociar bons preços e encontrar o melhor frete.
Ela também precisa proteger o investimento realizado ao longo do caminho. 🛡️📦
Na Advance, cada operação é analisada de forma integrada, considerando não apenas custos e prazos, mas também os riscos envolvidos no percurso internacional.
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